Federico Garcia Lorca – O Poeta exige que o seu amor lhe escreva

O Poeta exige que o seu amor lhe escreva
Amor de minha carne, viva morte: espero em vão tua palavra escrita, penso com a flor já seca, na desdita, que se vivo sem mim, que importa a sorte?
O ar em torno é imortal. A pedra, inerte, a sombra, não conhece, nem a evita . Coração sem ninguém, não necessita o mel gelado que a alta lua verte.
Eu te sofri, rasguei as minhas penas; tigre e pomba envolvi tua cintura num duelo de carícias e açucenas .
Enche pois, de palavras, tal loucura, ou deixa-me viver minha serena noite de mágoa para sempre escura .

 

Federico Garcia Lorca Tradução de J. G. de Araujo Jorge

In:” Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou”   J.G . de  Araujo Jorge – 1a ed.   1966

* * *

El Poeta Pide A Su Amor Que Le Escriba
Amor de mis entrañas, viva muerte, en vano espero tu palabra escrita y pienso, con la flor que se marchita, que si vivo sin mí quiero perderte.
El aire es inmortal. La piedra inerte Ni conoce la sombra ni la evita. Corazón interior no necesita la miel helada que la luna vierte.
Pero yo te sufrí. Rasgué mis venas, tigre y paloma, sobre tu cintura en duelo de mordiscos y azucenas.
Llena, pues, de palabras mi locura o déjame vivir en mi serena noche del alma para siempre oscura

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