Abat-jour – Paul Géraldy

Você pergunta porque eu fico sem falar…

Porque este é o grande instante em que

existe o beijo e existe o olhar,

porque é noite… e esta noite eu gosto de você!

Chegue-se bem a mim. Eu preciso de beijos.

Ah! se você soubesse o que há, esta noite, em mim

de orgulhos, ambições, ternuras e desejos!…

Mas, não, você não sabe, e é bem melhor assim!

Abaixe um pouco mais o abat-jour! Está bem.

É na sombra que o coração fala e repousa:

tanto mais os olhos se vêem,

quanto menos se vêem as cousas…

Hoje eu amo demais para falar de amor.

Venha aqui, bem perto! Eu queria

ser hoje, seja como for,

aquele que se acaricia…

Abaixe ainda mais o abat-jour.

Vamos ficar sem dizer nada.

Eu quero sentir bem o gosto

das suas mãos sobre o meu rosto!…

Mas quem está aí? Ah! a criada

que traz o café… Não podia

deixar aí mesmo? Não importa!

Pode ir-se embora!… E feche a porta!…

Mas o que é mesmo que eu dizia?

Quer… agora o café? Se você preferir…

Já sei: você gosta bem quente.

Espere um pouco! Eu mesmo é que quero servir.

Está tão forte!… Assim? Mais açúcar? Somente?

Não quer que eu prove por

você?… Aqui está, minha adorada…

Mas que escuro! Não se enxerga nada…

Levante um pouco esse abat-jour.

(Tradução de Guilherme de Almeida)

in os poemas da minha vida – Diogo Freitas do Amaral – Público

Paul Géraldy (pseud. Paul Lefèvre, Paris, 12 de maio de 1885 — Neuilly-sur-Seine, 10 de março de 1983)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s