Emily Dickinson

 

 

 

 

Senti um féretro em meu cérebro

 

Senti um Féretro em meu Cérebro

E Carpideiras indo e vindo

A pisar – a pisar – até eu sonhar

Meus sentidos fugindo –

 

E quando tudo se sentou,

O Tambor de um Ofício –

Bateu – bateu – até eu sentir

Inerte o meu juízo

 

E eu as ouvi – erguida a Tampa –

Rangerem por minha Alma com

Todo o Chumbo dos pés, de novo,

E o Espaço dobrou

 

Como se os Céus fossem um sino

E o Ser apenas um Ouvido

E eu e o silêncio estranha Raça

Só, naufragada, aqui –

 

Partiu-se a Tábua em minha Mente

E eu fui cair de Chão em Chão –

E em cada Chão achei um Mundo

E Terminei sabendo – então –

 

Emily Dickinson

 

In: Emily Dickinson: Não sou ninguém – Poemas

Tradução e Organização: Augusto de Campos

Editora Unicamp

 

* * *

 

Alguns guardam o Domingo indo à Igreja

Eu o guardo ficando em casa

Tendo um Sabiá como cantor

E um Pomar por Santuário.

Alguns guardam o Domingo em vestes brancas

Mas eu só uso minhas Asas

E ao invés do repicar dos sinos na Igreja

Nosso pássaro canta na palmeira.

É Deus que está pregando, pregador admirável

E o seu sermão é sempre curto.

Assim, ao invés de chegar ao Céu, só no final

Eu o encontro o tempo todo no quintal.

 

Emily Dickinson

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