À MUSA

Quanto, à noite, espero a tua chegada,

a vida me parece suspensa por um fio.

Que importam juventude, glória, liberdade,

quando enfim aparece a hóspede querida

trazendo nas mãos a sua rústica flauta?

Ei-la que vem. Soergue o seu véu,

olha para mim atentamente.

E lhe pergunto: “Foste tu quem a Dante

ditou as páginas do Inferno?”. E ela: “Sim, fui eu”

 

Anna Akhmátova

In: “Anna Akhmátova – Poesia: 1912-1964”

Tradução de Lauro Machado Coelho

Editora L&PM, 1991.

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