Madrigal para um amor

 

 

“A maior pena que eu tenho,

punhal de prata,

não é de me ver morrendo,

mas de saber quem me mata.”

Cecília Meireles

 

Luz da Noite Liz da Noite

meu destino é te adorar.

Serei cavalo marinho

quando a lua semi fátua

emergir de meu canteiro

e tu tiveres saído

em meus trajes de luar.

Serei concha privativa,

turmalina, carruagem,

Mas só se tu, Luz da noite,

teu delírio nesta margem

já quiseres desaguar.

(Não te faças tão ingrata

meu bem! Quedo ferido

e meus olhos são cantatas

que suplicam não me mates

em adunco anzol de prata!)

E quando nós nos amamos

em nossa vítrea viagem

de geada e de serragem

pelo meio continente!

Luz da noite Lis da Noite

meu destino é te seguir.

Meu inábil clavicórdio

soluça pela raiz,

e já pareces tão farta

que nem sequer onde filtra

meu lado bom te conduz:

Minha amiga vou fremindo

embebido em tua luz.

 

Rio, 1964

Cacaso

In A Palavra Cerzida

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