Manoel de Barros – O Primeiro Poema

O primeiro poema

de Manoel de Barros

O menino foi andando na beira do rio

e achou uma voz sem boca.

A voz era azul.

Difícil foi achar a boca que falasse azul.

Tinha um índio terena que diz-que

falava azul.

Mas ele morava longe.

Era na beira de um rio que era longe.

Mas o índio só aparecia de tarde.

O menino achou o índio e a boca era

bem normal.

Só que o índio usava um apito de

chamar perdiz que dava um canto

azul.

Era que a perdiz atendia ao chamado

pela cor e não pelo canto.

A perdiz atendia pelo azul.

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