Amigo – Pablo Neruda

Amigo, toma para ti o que quiseres,

passeia o teu olhar pelos meus recantos,

e se assim o desejas, dou-te a alma inteira,

com suas brancas avenidas e canções.

 

Amigo – faz com que na tarde se desvaneça

este inútil e velho desejo de vencer.

 

Bebe do meu cântaro se tens sede.

 

Amigo – faz com que na tarde se desvaneça

este desejo de que todas as roseiras

me pertençam.

 

Amigo,

se tens fome come do meu pão.

 

Tudo, amigo, o fiz para ti. Tudo isto

que sem olhares verás na minha casa vazia:

tudo isto que sobe pelo muros direitos

– como o meu coração – sempre buscando altura.

 

Sorri-te – amigo. Que importa! Ninguém sabe

entregar nas mãos o que se esconde dentro,

mas eu dou-te a alma, ânfora de suaves néctares,

e toda eu ta dou… Menos aquela lembrança…

 

… Que na minha herdade vazia aquele amor perdido

é uma rosa branca que se abre em silêncio…

 

Pablo Neruda, in “Crepusculário”

 

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