Pássaro – Pablo Neruda

De pássaro a pássaro caía

tudo o que o dia traz,

ia de flauta em flauta o dia,

ia vestido de verdura

com voos que abriam um túnel,

e por ali passava o vento

por onde as aves cortavam

o ar compacto e azul:

por ali entrava a noite.

No regresso de tantas viagens

fiquei suspenso e verde

entre o sol e a geografia:

vi como trabalham as asas,

como se transmite o perfume

por um telégrafo emplumado,

vi das alturas o caminho,

as fontes, as telhas,

os pescadores a pescar,

os cais da espuma,

tudo isto eu vi do meu céu verde.

Não tinha mais letras

que a viagem das andorinhas,

a água pura e diminuta

do pequeno pássaro ardendo

que baila saindo do pólen.

Pablo Neruda

In Plenos Poderes

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