À noite

A música no jardim

tinha dor inexplicável.

Um cheiro de maresia

vinha das ostras no gelo.

 

Ele disse: “Sou fiel!”

e tocou-me no vestido.

Tão diverso de um abraço

era o toque dessas mãos.

 

Como quem acaricia

um gato ou um passarinho,

sorria, com os olhos calmos,

sob o ouro das pestanas.

 

A voz triste dos violinos

cantava, em meio à névoa:

“Dá graças a Deus que enfim

estás a sós com o amado”.

 

Ana Akhmatova

 

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