Ao Sal – Fernando Campanella

https://i0.wp.com/4.bp.blogspot.com/-r69P0nd2K6M/ULeyy8Hge8I/AAAAAAAAcsk/sXk8PazjGFA/s1600/madurez1.jpg

“Nega-me o pão, o ar,

a luz, a primavera,

mas nunca o teu riso,

porque então morreria.”

(Pablo Neruda)

 

Nega-me tua alma –

esta alma, mesma, que me furtas

 

e é ao degredo irremediável

que me remetes.

 

Nega-me tua chama

que arde no delírio dos deuses,

teu anjo, que ressona na fluidez dos lagos,

tuas asas desdobradas,

 

nega-me, nega-me tua espuma

que regurgita no sonho das aves

(eu sou o teu infante pássaro)

 

e é sem minhas fontes que me deixas,

sem meu ar extasiado.

 

Nega-me teu mar, tua tempestade,

o sonho e a fantasia,

e me deixas ao relento, ao sal amargo

de cada dia.

 

Nega-me teu olhos e já não me atento

 

que a felicidade embora utopia das sombras

é também certa luz incidente

que só de teu olhar

meus olhos como cúmplices pressentem.

 

Fernando Campanella

 

Anúncios

Uma resposta em “Ao Sal – Fernando Campanella

  1. Esses versos de Pablo Neruda me lembram outros de uma música dos Platters: “I´ll never smile again, until I smile at you/ I´ll never laugh again, until I laugh with you”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s