Dois poemas de Raul Leoni

MELANCOLIA

Poente!

Estas horas que estão passando, surdamente,

Nunca mais voltarão no tempo imaginário:

No jardim solitário,

Estão-se desfolhando, ingloriamente,

Tantas rosas divinas, a senhoras;

Rosas que poderiam debruar

Leitos de fadas, em guirlandas luminosas,

Emoldurar cabeças de poetas

É que jamais florescerão ante os meus olhos…

Por que, então,

Deixá-las, numa morte inútil e secreta,

Esfolharem-se, assim, anônimas e virgens,

Na sombra do jardim

Sobre a tarde serena!?…

Ah! se eu fosse colhê-las para mim!…

Não vale a pena!

IRONIA

Ironia! Ironia!
Minha consolação! Minha filosofia!
Imponderável máscara discreta
Dessa infinita dúvida secreta
Que é a tragédia recôndita do ser!
Muita gente não te há de compreender
E dirá que és renúncia e covardia!
Ironia! Ironia!
És minha atitude comovida:
O amor-próprio do Espírito, sorrindo!
O pudor da Razão diante da Vida!

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