Tira – Teima – Bernardo Vilhena

John Donne

TIRA-TEIMA

Bernardo Vilhena

Tire a faca do peito

e o medo dos olhos

Ponha uns óculos escuros

e saia por aí. Dando bandeira

Tire o nó da garganta

que a palavra corre fácil

sem desculpas nem contornos

Direta: do diafragma ao céu da boca

Tire o trinco da porta

liberte a corrente de ar

Deixe os bons ventos levantarem a poeira

levando o cisco ao olho grande

Tire a sorte na esquina

na primeira cigana ou no velho realejo

Leia o horóscopo e olhe o céu

lembre-se das estrelas e da estrada

Tire o corpo da reta

e o cu da seringa

que malandro é você, rapaz

o lado bom da faca é o cabo

Tire a mulher mais bonita

pra dançar e dance

Dance olhando dentro dos olhos

até que ela morra de vergonha

Tire o revólver e atire

a primeira pedra

a última palavra

a praga e a sorte

a peste, ou o vírus?

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