O Albatroz – Charles Baudelaire

Rubem Alves

 

 

Às vezes, por prazer, os homens de equipagem

Pegam um albatoz, enorme ave marinha,

Que segue, companheiro indolente de viagem,

O navio que sobre os abismos caminha.

Mal o põem no convés por sobre as pranchas rasas,

Esse senhor do azul, sem jeito e envergonhado,

Deixa doridamente as grandes e alvas asas

Como remos cair e arrastar-se a seu lado.

Que sem graça é o viajor alado sem seu nimbo!

Ave tão bela, como está cômica e feia!

Um o irrita chegando ao seu bico em cachimbo,

Outro põe-se a imitar o enfermo que coxeia!

O poeta é semelhante ao príncipe da altura

Que busca a tempestade e ri da flecha no ar;

Exilado no chão, em meio à corja impura,

A asa de gigante impedem-no de andar.

 

 

Charles Baudelaire

 

Fonte: http://www.geocities.com

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