Rainer Maria Rilke – Dois poemas

Tive a sorte de me deparar com um exemplar do livro de Rainer Maria Rilke , ” Cartas a um jovem poeta ” . São cartas cheias de beleza , sensibilidade e uma certa ternura com o jovem poeta , que se sente nos conselhos que lemos nas cartas . Nesse livro , acredito que Rilke mostra que a história de vida dele não o influenciou negativamente  , mas tornou – o um homem  forte , a despeito da sua saúde frágil . Mágico , encantador , delicioso .

Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?

Eu sou o teu vaso – e se me quebro?

Eu sou tua água – e se apodreço?

Sou tua roupa e teu trabalho

Comigo perdes tu o teu sentido.

Depois de mim não terás um lugar

Onde as palavras ardentes te saúdem.

Dos teus pés cansados cairão

As sandálias que sou.

Perderás tua ampla túnica.

Teu olhar que em minhas pálpebras,

Como num travesseiro,

Ardentemente recebo,

Virá me procurar por largo tempo

E se deitará, na hora do crepúsculo,

No duro chão de pedra.

Que farás tu, meu Deus? O medo me domina.

(Tradução: Paulo Plínio Abreu)

Rainer Maria Rilke

Quem chora agora em algum lugar do mundo,

sem razão chora no mundo,

chora por mim.

Quem ri agora em algum lugar da noite,

sem razão se ri na noite,

ri-se de mim.

Quem anda agora em algum lugar do mundo,

sem razão anda no mundo,

vem a mim.

Quem morre agora em algum lugar do mundo,

sem razão morre no mundo,

olha para mim.

Fonte: Rilke, R. M. 1993. Poemas. SP, Companhia das Letras

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