Para Comer Depois – Adélia Prado

Para Comer Depois

Na minha cidade, nos domingos de tarde,

as pessoas se põem na sombra com faca e laranjas.

Tomam a fresca e riem do rapaz de bicicleta,

a campainha desatada, o aro enfeitado de laranjas:

“Eh bobagem! ”

Daqui a muito progresso tecno-ilógico,

quando for impossível detectar o domingo

pelo sumo das laranjas no ar e bicicletas,

em meu país de memória e sentimento,

basta fechar os olhos:

é domingo, é domingo, é domingo.

Adélia Prado

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2 respostas em “Para Comer Depois – Adélia Prado

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